Caso do cão Orelha: polícia conclui investigação e pede internação de adolescente
Polícia Civil de SC conclui investigação sobre morte do cão Orelha e pede internação de adolescente; três adultos são indiciados.
A Polícia Civil de Santa Catarina concluiu o inquérito sobre a morte do cão comunitário Orelha, caso que gerou comoção nacional e forte repercussão nas redes sociais. Segundo a corporação, as investigações apontam que um adolescente foi o responsável pelo ataque que deixou o animal gravemente ferido.
Com o encerramento do inquérito, a polícia encaminhou o relatório à Justiça e solicitou a internação do jovem, medida prevista no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) para situações consideradas graves.
Orelha era conhecido por moradores e frequentadores da Praia Brava, em Florianópolis, onde vivia como cão comunitário e era cuidado por pessoas da região.

Animal foi encontrado ferido e passou por eutanásia
O caso começou a ganhar repercussão no início de janeiro, quando Orelha foi encontrado com ferimentos severos na cabeça. Após ser levado para atendimento veterinário, o quadro foi considerado irreversível e o animal acabou sendo submetido à eutanásia no dia seguinte.
Laudos apontaram que o cão sofreu um golpe forte, que pode ter sido causado por um chute ou por algum objeto rígido.
Polícia diz que jovem mentiu em depoimento
De acordo com a investigação, imagens de câmeras de segurança e depoimentos de testemunhas ajudaram a polícia a reconstruir parte do que aconteceu na madrugada do crime.
Os investigadores afirmam que o adolescente apresentou contradições durante o depoimento e que a movimentação registrada por câmeras no horário do ataque não bate com a versão inicialmente apresentada.
O relatório final indica que ele teria saído do condomínio onde mora e retornado pouco tempo depois, dentro do período em que o cão foi agredido.
Três adultos foram indiciados por coação de testemunhas
Além do pedido de internação do adolescente, a Polícia Civil também informou que três adultos foram indiciados por coação no curso do processo, ou seja, por tentarem pressionar testemunhas durante a investigação.
Esse tipo de crime é tratado com seriedade, porque pode interferir diretamente no andamento do inquérito e na coleta de provas.
Agora, caberá ao Ministério Público e ao Judiciário avaliar o material e decidir os próximos passos do caso.
A morte do cão Orelha provocou revolta e mobilização em várias cidades do Brasil. Grupos de proteção animal e internautas organizaram protestos e campanhas pedindo punição para os responsáveis.
O episódio também reacendeu o debate sobre maus-tratos a animais, principalmente em casos que envolvem menores de idade e a aplicação de medidas socioeducativas.
Com a investigação concluída, a expectativa agora é pela decisão judicial sobre o pedido de internação e o andamento do processo contra os adultos indiciados.