Venezuela ainda tem 687 presos políticos, 51 sem paradeiro, aponta ONG

Venezuela ainda tem 687 presos políticos, 51 sem paradeiro, aponta ONG
Imagem Ilustrativa - Delcy Rodríguez

ONG Foro Penal afirma que 687 pessoas seguem detidas por motivos políticos na Venezuela, com 51 delas sem paradeiro conhecido.

A Venezuela continua enfrentando uma crise em direitos humanos, segundo a ONG Foro Penal, que divulgou nesta segunda-feira um balanço sobre a situação dos presos políticos no país. De acordo com a organização, 687 pessoas permanecem detidas por motivos políticos, mesmo após recentes liberações e anúncios de anistia pelo governo interino.

Entre esse total, 51 detidos estão com o paradeiro desconhecido, o que preocupa familiares e grupos de direitos humanos que acompanham os casos.

Perfil dos presos e contexto

Segundo o levantamento feito pela ONG, a maioria dos detidos é composta por homens (600), mas também há 87 mulheres entre os presos políticos. A organização separou os dados da seguinte forma:

  • 505 civis e 182 militares;
  • 686 adultos e 1 adolescente;
  • 59 estrangeiros detidos no país.

Esses números referem-se a pessoas acusadas de crimes como terrorismo, traição ou conspiração, mas que, segundo familiares e ativistas, foram presos por motivos políticos ou por se oporem ao governo venezuelano.

Briga em corrida termina com dois mortos no Paraná
Motorista de aplicativo mata dois passageiros no Paraná após discussão por cerveja derramada; caso é investigado pela polícia.

Liberação de presos e anistia anunciada

Nos últimos meses, alguns detentos considerados presos políticos foram libertados em meio a pressões internas e externas. O governo interino, liderado por Delcy Rodríguez, anunciou uma proposta de lei de anistia geral que visa beneficiar centenas de pessoas detidas por motivos políticos desde os anos 1990, excluindo casos de crimes graves.

Desde o início das primeiras liberações em janeiro, centenas de presos já foram soltos em diferentes fases do processo, mas a ONG aponta que ainda há um número significativo de detidos que aguardam a aplicação da anistia.

Reações de familiares e defensores dos direitos humanos

Familiares de detidos e grupos de direitos humanos observam a situação com cautela. Para esses ativistas, a existência de dezenas de pessoas com paradeiro desconhecido evidencia a falta de transparência no sistema prisional venezuelano e levanta alarmes sobre possíveis detentions arbitrárias e falta de acesso jurídico adequado.

Organizações internacionais já têm expressado preocupação com casos de desaparecimentos forçados ou detenção sem informação sobre a localização, o que constitui uma violação grave dos direitos humanos sob normas internacionais.

Apesar da promessa de anistia e das libertações já confirmadas, o número elevado de presos políticos aponta para um longo caminho até que a crise seja considerada resolvida. A situação também coloca em evidência as tensões políticas internas da Venezuela, o debate sobre justiça e reconciliação e o papel das autoridades no respeito aos direitos civis e políticos.

Grupos defensores dos direitos humanos continuam monitorando o país, pedindo maior transparência nas detenções e a libertação de todos os que, segundo eles, estão presos por motivos políticos — incluindo os que ainda não tiveram seus destinos revelados.

Leia mais