Anvisa alerta para risco de pancreatite relacionado a canetas emagrecedoras

Anvisa alerta para risco de pancreatite relacionado a canetas emagrecedoras
Imagem Ilustrativa

Anvisa reforça alerta sobre risco raro, porém grave, de pancreatite com uso de canetas emagrecedoras e recomenda atenção médica.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) divulgou um alerta de segurança sobre os riscos associados ao uso de medicamentos injetáveis para emagrecimento, conhecidos popularmente como canetas emagrecedoras. Esses medicamentos, utilizados para tratar obesidade e diabetes, podem, em casos raros, estar associados ao desenvolvimento de pancreatite aguda – uma inflamação grave do pâncreas, segundo a agência reguladora brasileira.

O alerta vem em um momento em que esse tipo de medicamento tem ganhado mais atenção global devido ao seu uso crescente, tanto sob prescrição médica quanto, preocupantemente, fora das indicações aprovadas. A Anvisa reforça que o potencial benefício terapêutico dessas substâncias continua válido quando usadas conforme orientação médica, mas que o uso inadequado pode aumentar significativamente o risco de efeitos adversos.

Bad Bunny no Super Bowl exalta cultura latina e irrita Trump
Show histórico de Bad Bunny no Super Bowl destaca cultura latina, gera debates políticos e provoca críticas de Donald Trump.

Medicamentos envolvidos e como agem

As chamadas “canetas emagrecedoras” são medicamentos da classe de agonistas do receptor GLP-1, que incluem princípios ativos como semaglutida, tirzepatida, dulaglutida e liraglutida. Esses fármacos atuam imitando o hormônio GLP-1, que participa da regulação do apetite, sensação de saciedade e metabolismo da glicose.

Eles são amplamente usados no tratamento de diabetes tipo 2 e, mais recentemente, têm sido prescritos para controle de peso em pacientes com obesidade. No entanto, o uso indiscriminado — especialmente fora das indicações aprovadas ou sem acompanhamento de um profissional habilitado — pode elevar o risco de complicações, como a pancreatite aguda, que pode ser grave e até fatal em algumas situações.

Dados de notificações e mortes suspeitas

Segundo informações da Anvisa, entre 2020 e dezembro de 2025, foram registradas 145 notificações de casos suspeitos de pancreatite associados ao uso desses medicamentos no Brasil, com seis casos suspeitos de morte relacionados à condição. Esses números demonstram um aumento nas notificações ao longo dos anos, ainda que não indiquem uma relação comprovada em todos os casos.

A agência também cita dados internacionais, como os relatados pela autoridade reguladora do Reino Unido (MHRA), que registrou mais de mil notificações de pancreatite relacionadas a medicamentos similares em uso naquele país, incluindo casos graves.

Sintomas e orientações médicas

A pancreatite aguda costuma se manifestar com dor abdominal intensa e persistente, muitas vezes irradiando para as costas, acompanhada de náuseas e vômitos. A Anvisa recomenda que usuários que apresentarem esses sintomas procurem atendimento médico imediatamente e que os profissionais de saúde considerem interromper o tratamento caso haja suspeita de pancreatite.

A agência também reforça a importância de notificar eventos adversos por meio do sistema VigiMed, ferramenta que permite o monitoramento contínuo da segurança dos medicamentos no país.

Uso adequado e prescrição médica

Segundo a Anvisa, as canetas emagrecedoras devem ser utilizadas exclusivamente conforme as indicações aprovadas em bula e sob prescrição e acompanhamento de profissional de saúde. O órgão recorda que os riscos descritos em bula incluem, além da pancreatite, outros efeitos adversos possíveis, e que a decisão terapêutica deve ser tomada com base na avaliação clínica individual de cada paciente.

A agência também sinalizou que práticas de uso fora do protocolo — como a utilização desses medicamentos apenas para fins estéticos — aumentam não apenas os riscos de efeito adverso, mas também dificultam a detecção precoce de complicações graves.

Em 2025, a Anvisa adotou medidas para aumentar a segurança no uso dessas drogas, como a exigência de retenção de receita médica na farmácia para a comercialização, similar ao controle aplicado a antibióticos, com validade de receita de até 90 dias. Essa mudança regulatória tem como objetivo reduzir a circulação de medicamentos sem supervisão adequada e proteger a saúde pública.

O alerta recente reforça a necessidade de pacientes e profissionais de saúde se manterem atentos aos sinais de complicações e seguirem as orientações de uso seguro, destacando que a combinação de eficácia terapêutica com riscos potenciais deve sempre ser avaliada com cuidado.

Leia mais